Facebook pixel
Awari

21 de maio de 2021

User Experience (UX): o que é e como atuar na área?

O aumento no uso de smartphones e aparelhos portáteis mudou a maneira como as pessoas se conectam atualmente. Com um crescimento superior a 500% no consumo de mídia desde 2011, de acordo com pesquisa da agência de mídias Zenith (EUA), os usuários digitais tornaram-se cada vez mais exigentes por uma User Experience positiva, desejando que suas necessidades sejam atendidas em um instante.

Seja em um restaurante, em um ônibus ou em uma estação de metrô, as pessoas gostam de acessar a internet por uma variedade de razões: fazer compras, conversar com os amigos, chamar um Uber ou apenas pesquisar informações. E todas essas várias possibilidades têm uma coisa em comum: a qualidade da User Experience (UX), ou experiência do usuário em português, causa um enorme impacto.

Uma parte crítica dessa experiência é a facilidade com que um consumidor pode encontrar, acessar, revisar ou comprar produtos e serviços. Para empresas que desejam atrair e converter esse interesse em receita, a experiência do usuário (UX) é crucial para o seu sucesso e, em muitos casos, sobrevivência.

O que é User Experience? 

UX não se trata de uma ciência ou uma metodologia. User Experience é um termo usado para mensurar toda a relação e experiência do usuário ao usar um produto, seja um aplicativo para smartphone, um website no seu computador ou na utilização de algum serviço. 

Em resumo, User Experience é a área responsável por projetar experiências de uso encantadoras para fidelizar e conquistar clientes. Quer um exemplo? Você já tentou abrir a porta do McDonald ‘s empurrando e descobriu que tinha que puxar? Quantas vezes você acertou qual lado que abria? Essas portas têm até um nome específico: Norman Doors.

Na imagem vemos três portas com estilos diferentes de abertura. Os nomes das portas estão em inglês: Push, Pull e Turn
Norman Doors. Fonte: UXDesign.cc

Elas ganharam esse nome por causa de uma pessoa fundamental na história do UX : Donald A. Norman. Ele era americano, e em uma viagem para o Reino Unido ficou irritado com as portas de lá. O jeito de abrir e fechar era bem diferente das portas dos EUA, assim como o ligar e desligar das luzes e o abrir e fechar da torneira. Logo ele percebeu que o design não estava ajudando ele.

Voltando para os EUA, ele escreveu um livro sobre o design para coisas do dia-a-dia e, dentro dele, criou o termo User Experience. Hoje, o livro de Norman é considerado a bíblia do UX.

Na imagem vemos Donald Norman, criador do termo UX

“A Experiência do Usuário engloba todos os aspectos da interação do usuário final com a empresa, seus serviços e produtos” – Donald A. Norman, criador do termo UX

O que faz o profissional de UX?

User Experience não é trabalho de uma pessoa só, na verdade é o oposto disso. UX, na verdade, é uma área bastante abrangente dentro do universo de Design. Por isso, dificilmente em um projeto haverá uma única pessoa responsável pela Experiência do Usuário.

UX Researcher, Arquiteto de Informação, UX Writer (ou Estrategista de Conteúdo), UX Designer, UI Designer, Product Manager e Desenvolvedor Front-End são algumas das diferentes especializações para cada etapa do processo de desenvolvimento da experiência do usuário. Mas você sabe qual a função de cada um deles? Abaixo, listamos algumas das atribuições de cada profissional de UX.

Funções dos profissionais de UX:

  • UX Researcher (ou Pesquisador de Usuários): foca suas tarefas em conduzir entrevistas com usuários e análise de comportamento;

Entregável mais comum: resultados, análise e recomendações baseados em pesquisa com usuários, personas

Leia mais: Como funciona UX Research na era dos Dados

  • Arquiteto de Informação: foca em tarefas como organizar o conteúdo do site, como a ferramenta de busca deve funcionar, quais nomes usar nos menus etc.;

Métodos e entregáveis mais comuns: sitemaps, wireframes, fluxos, análise de tarefas, taxonomia/card sorting

  • UX Writer (ou Estrategista de Conteúdo): foca em tarefas como redação, estruturação de conteúdo para ser entregue em diferentes dispositivos, textos de interface em títulos e labels etc.;

Métodos e entregáveis mais comuns: ecossistemas, consumer journey, personas

  • UX Designer: responsável por definir o fluxo de interação em uma aplicação, e como o usuário navega por ela. 

Métodos e entregáveis mais comuns: wireframes, storyboards, estratégia de produto

  • UI Designer: é responsável principalmente pela criação de interfaces funcionais, as quais permitem que usuário navegue intuitivamente por toda sua jornada.

Métodos e entregáveis mais comuns: layouts, guia de estilos, iconografia.

  • Product Manager (PM): planeja, organiza e controla o projeto e seu time — incluindo atividades relacionadas a UX;

Leia mais: Habilidades do PM: quais são as qualificações mais pedidas?

  • Desenvolvedor Front-End: foca em escrever HTML, CSS, Javascript e outras linguagens para implementar um determinado visual e interação;
Na imagem vemos uma plano de estratégia de um UX Designer. Há cinco balões coloridos, cada um deles com uma vertente da área de UX.
UX Strategy. Fonte: Head Space Design

Quais os fatores mais importantes para uma boa experiência do usuário?

(e como eles são utilizados na prática pelas empresas)

No centro da experiência do usuário está garantir que os usuários encontrem valor no que você está fornecendo a eles. Peter Morville, presidente da Semantic Studios, uma empresa de consultoria em arquitetura de informação e localização da Inglaterra, representa isso através de sua Experiência do Usuário Honeycomb

Na imagem vemos os fatores mais importantes em uma boa experiência do usuário.
Honeycomb. Fonte: SemanticStudios

Ele observa que, para que haja uma experiência de usuário significativa e valiosa, o seu serviço, aplicativo ou produto deve ser:

  • Útil
  • Usável 
  • Desejável
  • Localizável
  • Acessível
  • Credível
  1. Útil

O ritmo de usuários do universo digital atualmente é acelerado. Assim, os consumidores não gostam de perder tempo com ferramentas e serviços digitais que não os ajudam a atingir rapidamente seus objetivos. Neste cenário, empresas que produzem conteúdo, produtos e serviços que não atendem às necessidades dos usuários, perderão cada vez mais clientes para empresas que fornecem experiências intuitivas e emocionalmente positivas ao usuário.

A Amazon, por exemplo, fornece apenas avaliações úteis de produtos para seus clientes. Ela classifica os comentários com base em sua utilidade. Isso é útil para os clientes porque evita qualquer informação irrelevante e se concentra apenas nas avaliações mais relevantes e úteis sem que os clientes se esforcem.

  1. Usável

Usabilidade refere-se a quão eficaz, eficiente e intuitivamente os usuários podem alcançar o objetivo que estão tentando alcançar usando seu produto, serviço ou site. Um bom exemplo de UX pode ser visto no app do Duolingo. O objetivo do aplicativo é ajudar o usuário a aprender um novo idioma, o que é uma tarefa desafiadora. Porém, a ferramenta reverte isso em UX: você instala o app e, após três perguntas fáceis (Nome, Email e Senha), os usuários já estão começando a aprender um novo idioma e definindo suas metas para o aprendizado. 

Essa abordagem sem atrito é contrária a de muitos concorrentes. Muitos aplicativos de idiomas fazem seus usuários decidirem sobre um plano, pagar e se inscrever em um curso antes de começar. Cada uma dessas etapas adiciona atrito que pode fazer com que os usuários desistam do processo.

  1. Desejável

A conveniência refere-se ao quanto seu produto ou serviço é procurado. O desejo é criado em torno de design, design emocional, branding, imagem, estilo de vida da empresa e estética.

A Apple é o maior exemplo de como criar uma atmosfera de desejo pelo seu produto. Eles projetaram uma marca que tem seguidores hardcore que não usariam um computador ou android facilmente. O design, imagem e estética elegante da Apple atrai pessoas que desejam um estilo de vida que contenha essas características.

Na imagem vemos o logo da Apple com a frase: Não é só uma companhia, é uma estilo de vida.
A marca Apple está entre as mais valiosas do mundo. Fonte: LinkedIn
  1. Localizável

Uma experiência de usuário localizável refere-se a um produto ser fácil de encontrar. No caso de produtos digitais e de informação, o conteúdo deve ser fácil de encontrar. Neste sentido, o Youtube é um bom exemplo de evolução para tornar a sua experiência  mais localizável. Durante muito tempo, hambúrguer (ou gaveta de navegação lateral) foi considerado o padrão de design comum para exibir todos os recursos do app em dispositivos como celulares ou tablets. 

Mas a principal desvantagem do menu de hambúrgueres foi sua baixa descoberta. É por isso que muitas empresas, como o Youtube, estão abandonando menus de hambúrguer para barra de abas. Isso mantém os recursos principais sempre visíveis, tornando-os facilmente detectáveis. Um estudo mostra que tornar os recursos detectáveis leva a mais engajamento do cliente, melhoria na receita do negócio e satisfação do usuário.

  1. Acessível

A experiência de usuário também passa pela acessibilidade. Atualmente, um aplicativo que não é acessível a pessoas que possuem algum tipo de deficiência não pode ser considerado como uma referência na experiência de um cliente com o produto. Por outro lado, também já existem apps que são totalmente focados em acessibilidade, como o Be my Eyes. Ele é um aplicativo gratuito que conecta pessoas cegas e com baixa visão a voluntários com visão e representantes de empresas do mundo todo para assistência visual por meio de uma videochamada ao vivo.

  1. Credível 

Credibilidade refere-se à capacidade do consumidor confiar na sua marca e nos produtos/serviços que você fornece. Sem confiança, os consumidores não comprarão nenhum produto ou serviço de você. Neste sentido, o Nubank tornou-se uma referência no cenário brasileiro. Fundado em 2013, o banco digital já possui 38 milhões de clientes, opera no Brasil, México e Colômbia, é uma das referências quando o assunto é atendimento, gerando, assim, credibilidade e confiança com sua base de clientes.

Como começar em UX?

A área de UX é abrangente, por isso, não há somente um possibilidades para você começar, mas sim várias. Algumas características entre profissionais das diversas de UX, porém, são comuns. Por exemplo, para se dar bem nessa área, é preciso gostar de reuniões com times, conversas, debates e exercícios de brainstorming, isso porque experiência de usuário não é apenas para uma pessoa, e sim para um time. Todo o esforço deve ser feito por uma equipe multidisciplinar.

Mas como começar na área? A resposta é simples: depende. A boa notícia é que você não precisará de uma graduação para iniciar sua jornada profissional na área. Isso mesmo. Quer ver?

Carreira em UX 

Para iniciar sua carreira em UX, você precisará aprender alguns fundamentos de design. Mas calma, você não precisa saber tudo isso no início, já que irá adquirir habilidades adicionais durante a jornada de aprendizagem. Para começar, você pode seguir dois passos:

  • Aprenda os fundamentos de UX: aprenda e desenvolva habilidades técnicas cruciais para a função. Você não precisa ser especialista em tudo, mas quanto mais você se aprofundar no universo de UX, mais facilidades terá no desenvolvimento de novos produtos. No início de sua jornada neste universo, você aprenderá:
  • Pesquisa e estratégia do usuário (que envolve coleta de dados): neste tópico você conhecerá o trabalho do UX Researcher. Ele atuará na elaboração de entrevistas qualitativas e quantitativas, e em todas estratégias que envolvem a coleta de informações do seu usuário.
  • Wireframing e Prototipagem: neste tópico você se aprofundará na atuação UX Design, responsável por definir o melhor fluxo de interação do usuário no aplicativo.
  • Design de Interface do Usuário: neste tópico você conhecerá a atuação de um UI Design, responsável pela criação de interfaces funcionais, as quais permitem que usuário navegue de forma intuitiva pelo aplicativo.

Você também precisará construir uma base sólida de habilidades sociais, incluindo gerenciamento de projetos, colaboração e habilidades de comunicação. Isso porque todo projeto que envolve experiência de usuário é desenvolvido por um time. Desta forma, você precisará aprender a trabalhar em equipe.

Dicas da Awari: para iniciar sua jornada na área, você pode utilizar plataformas como a Coursera, que oferece um curso gratuito chamado ‘Fundamentos do Design de Interface‘.

  • Aprenda a Usar as Principais Ferramentas de Design: aprenda a trabalhar com ferramentas de wireframing – Sketch é o mais utilizado, mas Illustrator, InVision Studio, Adobe XD e Figma também são populares. Para design de interface, o Photoshop é o mais usado, portanto, é importante estar familiarizado com a ferramenta.

Dica da Awari: o site DesignLab oferece uma newsletter semanal que ensina de forma gratuita designers iniciantes a darem seus primeiros passos no Figma. 

Há, também, a possibilidade de iniciar sua jornada na carreira de User Experience por meio de cursos específicos na área, como os de UX Design, UI Design e Product Management oferecidos pela Awari. Neles, você irá aplicar a teoria na prática, realizando atividades, aulas e mentorias com profissionais experts de grandes empresas do mercado, como Disney, Apple, Nubank, iFood e Twitter – além de ter um acompanhamento de carreira individual. 

Escrito por

Eduardo Valim

é redator na Awari e escreve sobre carreira e tecnologia.