Awari

16 de março de 2021

Habilidades do Product Manager: quais são as qualificações mais pedidas?

Conhecer as habilidades do Product Manager (PM) mais exigidas nas vagas da área ajuda você a se preparar melhor para conquistar a sua oportunidade. Por isso, é fundamental discutirmos sobre o tema.

Além do mais, a área de produtos pode ser considerada a especialidade das generalidades. Então, prepare-se para navegar por um mar de conceitos e teorias. Muitas delas, inclusive, são facilmente encontradas em outras áreas. As bordas se borram e é assim que faz sentido. 

Bora lá?

Quais são as habilidades do Product Manager?

Se você já pesquisou sobre esse tema antes, é bem provável que tenha se deparado com um famoso diagrama que posiciona o profissional de produto entre UX, Negócios e Tecnologia.

De certo, o esquema tem seu valor e ajuda bastante na compreensão do assunto, mas, particularmente, acho que ele provoca uma certa confusão. Por isso, eu prefiro usar uma definição mais moderna, concebida e promovida pelo fundador da Emergee, Alexandre Magno. A partir dela, conseguimos abordar as qualificações da área de Product Management. 

Mas, antes de conhecê-la, acho válido pontuar que não existe um jeito certo de fazer produtos ou um perfil ideal de PM. Cada pessoa tem menos ou mais habilidades entre as dimensões que veremos nesse artigo.

Além das características individuais, outro fator que influencia nesse aspecto é o local de trabalho. As empresas têm momentos diferentes, com times distintos, e podem exigir habilidades de acordo com o contexto. Por isso, não se cobre para ser um PM unicórnio, nem se exalte em busca da perfeição.

As três dimensões de um PM

Fonte:https://pt.slideshare.net/productcampsp/product-camp-2020-product-management-footprint-uma-forma-de-adequar-e-evoluir-os-papeis-de-produto-nas-organizaes-alexandre-magno-emergee

A imagem acima, retirada de uma apresentação do Alexandre Magno, retrata as três dimensões e a relação entre elas.

Repare que os eixos de Execução e Negócios são conectados pelo ROI (retorno sobre o investimento). Isso porque, para que o planejado seja entregue e gere o melhor retorno do investimento para o negócio, é preciso ter eficiência na execução.

A Execução também se conecta com Produto e, dessa vez, pelos outputs. Trata-se do output da sprint. Pessoas de produtos não podem se concentrar apenas em eficiência e na entrega da sprint. Elas devem também se preocupar com todo o processo e, sobretudo, com os resultados dele. Afinal, uma empresa não vive só de Discovery.

Por último, vemos a ligação entre Produto e Negócios, que se dá pelos outcomes. Isso significa que os interesses da empresa precisam atender às necessidades de determinado público. Esse indicador mostra se o resultado para a empresa é gerado com base no sacrifício do usuário ou se há propósito por trás do que é feito. 

Tudo certo até aqui? Então, é hora de conhecermos as habilidades que estão dentro de cada dimensão. 

Importante: Não são habilidades esperadas. Você pode ter uma e não ter a outra, ou precisar se desenvolver conhecendo uma nova técnica. 

Negócios

Essa é uma visão muito pragmática sobre gerar resultados para a empresa. E, embora seja uma dimensão essencial, é algo escasso entre os profissionais de Produto. Aqueles que possuem tal perspectiva, normalmente, trabalham em empresas culturalmente mais tradicionais, que não compreendem as dimensões de Produto e Execução.

Portanto, vale refletir sobre o assunto, já que é uma excelente oportunidade para o seu desenvolvimento profissional e, claro, para conquistar boas vagas de trabalho. 

Técnicas e habilidades da dimensão de Negócios:

  • Conhecimentos de finanças
  • Precificação e definição de margens
  • Pensamento lógico
  • Conhecimento da cadeia de valor
  • Gestão de shareholders (investidores)
  • M&A
  • Operações, Aquisições, Vendas e Marketing
  • Growth
  • OKR, BSC, etc
  • Beyond Budgeting.

Produto

Essa dimensão, talvez, não seja nenhuma surpresa para você, afinal, o tema é bastante recorrente em grupos, cursos e eventos da área. É o que eu chamo de “by the book” de produtos. Isso porque é fundamental dominar as habilidades dessa dimensão. Não só porque são os requisitos cobrados em entrevistas de emprego, mas também porque o diferencial do profissional de produto está, justamente, na capacidade de entregar 

Técnicas e habilidades da dimensão de Produto:

  • Product Discovery
  • Lean Startup
  • Design Thinking
  • UX Design
  • Visão de Produtos, Roadmap e Storymapping
  • Organização e Priorização de Backlog
  • Detalhamento de requisitos
  • Go to market
  • Métricas de Produtos e Analytics
  • Gestão de Stakeholders.

Execução

A Execução é uma parte desvalorizada por muitos profissionais – o que é um grande erro. Afinal, sem ela não há produto, concorda?

Nessa dimensão, é comum ter pessoas com diferentes origens profissionais, como gerentes de projetos ou TI. É em Execução que focamos no Delivery, e eu gosto de  destacar também os frameworks ágeis, que tornam o time mais eficiente. Além disso, há algumas metodologias que incorporam elementos de Negócios e Produtos. 

Técnicas e habilidades da dimensão de Execução:

  • Scrum
  • Kanban
  • Management 3.0
  • Go to market 
  • Product Analytics
  • Agile Metrics
  • MVP
  • BDD
  • Frameworks de ágil em escala (Scrum at Scale e SAFe)
  • Prototipação e testes
  • Gestão de Projetos.

Quais habilidades de Product Manager são mais requisitadas nas vagas da área?

Este é um verdadeiro dilema da área de Produtos.

Ao passo em que temos empresas com uma percepção da realidade, vemos lugares publicando vagas idealizadas e que ninguém tem condições de preencher 100% daqueles requisitos. Por isso, vou usar esse tópico para abordar as exigências coerentes, mas, sobretudo, explorar algumas polêmicas que envolvem o recrutamento de profissionais de produto.

Optei por dividir em “job description sem noção” e “job description com noção”. Além disso, incluí um subitem para abordar as habilidades procuradas por empresas que criam programas para receber profissionais de nível júnior ou sem experiência prévia na área de Produtos.

Job Description “sem noção”

Vamos começar pela controvérsia. Observe esse anúncio de vaga:

Viu com atenção? Tem tanta coisa errada nessa descrição que caberia um artigo só sobre ela. Mas, em resumo, os principais pontos são:

  • Discovery não “garante” nada. No máximo, mitiga riscos. 
  • Visão de Produtos + Experiência completa no processo end to end de criação de produto é “puxar a responsabilidade” para tomar decisões grandes. Não dá para esperar isso de um profissional júnior, concorda? 
  • E a frase final é como colocar a última pá de cal. Em que mundo uma pessoa, ainda mais júnior, não quer saber qual é o produto, processo ou time em que irá atuar? 
  • E as dimensões de produtos e as habilidades diferentes entre os profissionais? E a felicidade no trabalho? Nada disso é levado em consideração.

Eu me pergunto: por que será que a área de produtos é tão arrogante? Como foi que chegamos nesse nível? Bem, sabe o que isso gera nas pessoas? Dá só uma olhada em algumas mensagens que eu recebi:

Job Description “com noção”

Aqui, sim, vamos tratar de uma descrição adequada. Confira o anúncio da vaga:

Perceba como o texto não trata Discovery como a solução dos problemas.

A abordagem consiste em encontrar necessidades e transformá-las em funcionalidades. Outro ponto: além de não colocar o PM em um pedestal, traz uma certa subjetividade, que é importante para receber pessoas com diferentes origens profissionais. Ao ler essa descrição, tenho a impressão de que o recrutador está comprometido em conhecer o candidato, e não só em jogar buzz words ou frameworks na mesa.

Job Description de programas para contratar profissionais juniores ou sem experiência prévia na área

Para encontrar oportunidades em programas desse tipo, é necessário procurar vagas com a sigla APM.

Veja esse anúncio:

Ainda que a descrição esteja em inglês (o que é perfeitamente normal quando há interação do profissional com equipes estrangeiras), é possível avaliar que a empresa entende que o profissional júnior é parte de um processo e irá trabalhar como parceiro de outras especialidades. É algo que exige certa experiência profissional, mas não necessariamente em Produtos.

4 dicas de ouro para se preparar e conquistar a sua vaga em Produtos

A parte das vagas sem noção a gente ignora agora, ok? As dicas são para você conquistar vagas bacanas na área de Produtos.

Confira:

1. Entenda o que é esperado do profissional

Não tem como fugir da base. O mercado espera que os profissionais de Produto tenham formação técnica e conceitual sobre a área. Portanto, você deve saber a teoria. Curso de PM, certificação ágil e UX são fundamentais para nivelar o conhecimento em Produtos. 

2. Construa uma narrativa para a sua carreira

Essa dica, na verdade, é válida para qualquer profissão. Entretanto, em Produtos, como temos profissionais de diferentes origens, ela é imprescindível.

Na entrevista, você deve contar a sua trajetória profissional e, mais do que isso, conectá-la às suas intenções. Se você não tem experiência em Produtos, pense em como as habilidades adquiridas até então podem ajudar no novo desafio. A narrativa da sua carreira deve demonstrar o seu diferencial e como ele pode ser valioso para aquela empresa.

3. Reforce as suas entregas e os resultados alcançados

Caso você já tenha uma boa experiência na área, não foque nas responsabilidades dos seus cargos anteriores. Fale das suas entregas e dos resultados gerados para a empresa.

Também é importante apresentar um case para validar a sua qualificação. Cases são muito comuns em processos seletivos e, atualmente, representam uma forma eficiente de colocar as pessoas que se candidatam às vagas em situações reais de trabalho.

4. Estabeleça um networking legítimo

O networking, sem dúvida, é essencial para pessoas de Produto. Ele, aliás, é uma forma de fugir daquelas vagas sem noção. Para profissionais de nível intermediário e sênior, a rede de conexão faz ainda mais diferença. Em vez de manter apenas contatos limitados a conhecimentos técnicos, expanda mais o seu networking. Isso, certamente, pode ser um trampolim para os processos seletivos. 

Conclusão

Para finalizar, quero reforçar um ponto importante: se você está em um momento em que utiliza mais técnicas de execução, isso não significa que você é um profissional aquém do mercado. Isso porque nem sempre quem usa todas as técnicas da dimensão de Produto resolve o problema de alguém. 

Além disso, lembre-se sempre de que não são todas as empresas que têm maturidade para transitar pelas três dimensões das quais abordamos. Ainda assim, você deve refletir sobre elas:

  • Avalie se você está exercitando aquilo que gosta ou o que gostaria de desenvolver.
  • Entenda a empresa/time está, se ali é lugar para você e quais são suas ações diante dessas informações. 
  • Foque menos nos modelos idealizados. 
  • Por fim, fuja das vagas das empresas sem noção. Elas não te merecem!

Um conselho que eu dou é se aproximar de comunidades. Nelas, você vai encontrar pessoas que trocam experiências e, além de ajudar a aumentar o seu vocabulário, o espaço também permite expandir o networking legítimo. 

Estudar é um processo constante e estimulante, então, não pare nunca. Invista em você, ajude a comunidade de produtos e colha os frutos disso.

Escrito por

Alex Ivonika

Mais de 10 anos criando produtos digitais em startups premiadas no Brasil e Latam. Co-foundador do Product Guru's e professor do curso de Product Management na Awari. Consultor e mentor sobre Product Management, Estratégia e Negócios para empresas e startups.