Awari

2 de agosto de 2021

6 motivos para não fazer um MBA

Muita gente da área de Product Management (PM) fica em dúvida sobre fazer um MBA (Master in Business Administration). Para entrar fundo nesse tema, eu quero começar com uma sutil provocação.

Você acredita que a filosofia de gestão ágil será predominante nas corporações e startups em um futuro próximo? 

É bem provável que a sua resposta tenha sido “sim”. Afinal de contas, já podemos notar esse movimento, impulsionado pelas novas gerações que têm veia empreendedora e uma visão moderna do trabalho.

Então, eu te pergunto: você acha que o MBA se encaixa nesse cenário? Agora que fiz você pensar, vamos em frente.

Vale a pena fazer um MBA?

Se você precisa conhecer um segmento novo, o MBA faz sentido. Você pode, por exemplo, fazer um MBA em Agro, caso não seja agrônomo, para entrar em uma AgTech. A formação também é indicada se você deseja se especializar em negócios. Fora esses contextos, não tem por que fazer um MBA.

Em primeiro lugar, ele não se atualiza com a mesma frequência que os demais mercados. Até você terminar de pagar o seu MBA já terão sido lançadas duas novas versões de iPhone. Ou pode até ser que o iPhone seja descontinuado nesse tempo. 2 anos é muita coisa.

Se esse argumento ainda não te convenceu, não tem problema. Eu tenho mais seis motivos para mudar a sua opinião.

6 motivos para não fazer um MBA

Se você é PM, sabe bem que nós estamos no olho do furacão da transformação organizacional. A nova filosofia de gestão ágil é um caminho sem volta. Para essa realidade, precisamos estar cada vez mais preparados.

Na contramão disso, estão os cursos de MBA das instituições tradicionais e consagradas. A educação clássica, digamos assim, não serve para o nosso mercado. Veja só algumas razões para você concordar comigo:

1. Corpo docente formado em sua maioria por mestres e doutores

O nome deste tópico é argumento de venda das instituições de ensino. As universidades se apoiam nessa premissa de professores titulados para angariar jovens para os vestibulares.

Você, com certeza, já viu isso em algum lugar. Mas, afinal, a titulação do corpo docente faz tanta diferença assim?

Mestres e doutores têm muito valor, mas eu acredito que a balança esteja desequilibrada. As diretorias de ensino das instituições registradas no MEC obrigam as coordenações a contratarem professores fixos apenas se eles tiverem tais títulos.

Entretanto, o corpo docente seria melhor formado se houvesse uma distribuição que considera também os profissionais que estão no mercado, concorda? Afinal, se no mercado já é um desafio se manter atualizado, imagina só a dificuldade de quem respira apenas o mundo acadêmico.  

2. Grade curricular com temas do século passado

Grande parte das instituições de ensino não atualizaram o currículo da forma que deveriam. Basta conferir a grade de algumas universidades renomadas para encontrar disciplinas baseadas em conceitos ultrapassados.

Eu tenho um bom exemplo para mostrar:

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Exemplo de grade curricular de um MBA

Viu só?

Em pleno século XXI, há lugares que pregam o abominável Comando & Controle – uma filosofia de gestão antiquada e estruturada nos modelos hierárquicos falidos. Ou, então, a gestão por meio de processos e outros recursos. Não pessoas.

Onde já se viu priorizar processos e ferramentas no mercado atual? Nada ágil, não é verdade? Nesse anúncio tem ainda o PMI, em vez de conceitos como mindset ágil, Scrum, Kanban, Xtreme Manufacturing, XP. 

A própria gestão de produtos está fora dessa grade. É uma loucura pensar que há pessoas ocupando posições de PM que não tem a fundamentação da área. Esses são só alguns exemplos de conteúdos programáticos que são ministrados em cursos de MBA e pós-graduação.

3. Custo equivale a meia dúzia de certificações e mais um montão de livros

Segundo um estudo da Anamba (Associação Nacional de MBA), realizado com dados coletados em 2017, a média de preços dos programas de MBA no Brasil é de R$ 31.788,00.

Hoje, os valores já estão mais altos e, dependendo da instituição de ensino, podem chegar perto dos R$ 100 mil reais. Com todo esse dinheiro, é possível investir em diversas certificações relevantes e ainda sobra uma grana para adquirir livros e outros materiais.

4. O networking nem é tão poderoso assim

Um dos principais argumentos de defesa do MBA é o networking. De certo, em uma sala de aula, você consegue criar muitas conexões, mas nem todas são relevantes, ainda mais se a turma não for composta de profissionais do mercado.

Agora, se você investir o dinheiro de um MBA em vários cursos, a sua rede se expande. Além de diferentes turmas (ou seja, mais pessoas), os instrutores dos cursos, no geral, são bem ativos nas comunidades e isso proporciona um networking de qualidade.

5. As profissões ensinadas em MBA não irão existir em 10 ou 15 anos

Se você costuma acompanhar a evolução do mercado, sabe bem que as profissões mudam muito rapidamente. Além disso, muitas deixarão de existir devido à transformação digital.

Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne, da Universidade de Oxford, fizeram um estudo com cerca de 700 profissões e constataram que metade dessas ocupações deixarão de existir na União Europeia em aproximadamente 20 anos. 

Juristas, Contadores, Arquitetos, Estatísticos e até alguns tipos de professores são alguns dos profissionais que devem perder seus empregos. Sabe por que estou destacando tudo isso?

Porque os cursos de MBA e pós-graduação não estão preparados para acompanhar esse ritmo de mudança. Logo, é provável que você estude algo que não seja mais realidade no futuro.

6. Você paga para ter um título que tem cada vez menos valor

IBM, Apple e Google são alguns exemplos de gigantes que não exigem diplomas universitários para contratar, muito menos de MBA. Aqui no Brasil, empresas como a Movile e Nubank também não têm esse requisito.

Na verdade, essa é uma tendência. O título no currículo não tem tanto peso quanto a experiência e as habilidades adquiridas com outras formações. Embora, algumas empresas ainda valorizem. Mas no longo prazo, nem sempre o investimento dá o retorno esperado. 

Em vez de fazer um MBA, o que estudar?

Você deve priorizar cursos de especialização e formações mais técnicas da sua área. Com o valor de um MBA, você consegue investir em todos esses cursos:

  • Curso de Formação em Product Management
  • Curso de Data Analytics
  • Curso sobre liderança
  • Curso de extensão para complemento da formação
  • Certified Scrum Master
  • Certified Product Owner
  • Management 3.0
  • Kanban Management Professional.

E ainda é possível comprar aproximadamente 30 livros sobre os temas acima para complementar seus estudos. Ou fazer um monte de cursos de qualidade no Coursera, por exemplo.

Sem contar que as certificações ou cursos relevantes acima ainda expandem o seu networking aproximadamente 6 vezes mais do que um MBA e te ajuda a aprender e exercitar o vocabulário correto da área.

Conclusão

Que fique claro que este artigo não é uma afronta ao MBA e às instituições de ensino que oferecem essa modalidade de curso. Mas não podemos passar o pano só porque são lugares tradicionais e renomados.

Não é nenhuma mentira que as grades e professores estão ultrapassados, e isso, sem dúvida, atrapalha o desenvolvimento de qualquer aluno. Por muito tempo, mantemos a nossa barra baixa, e aceitamos o que a área da educação tinha para oferecer.

Agora, já não é mais assim. Existem outras opções além do MBA ou da pós-graduação que oferecem muito mais qualificação. Se você pensa diferente ou tem uma experiência distinta, por favor, compartilhe aqui nos comentários. 

Vamos tornar essa discussão uma troca de ideias rica e interessante.

Escrito por

Alex Ivonika

Mais de 10 anos criando produtos digitais e liderando equipes em startups premiadas no Brasil e na América Latina. Criador do Product Drops e editor no Product Guru’s, professor dos cursos de Product Management da Awari e Product Manager na Agrosmart.