Facebook pixel
Awari

26 de maio de 2021

Design Sprint: como aplicar a metodologia no seu trabalho

Mesmo com o avanço da tecnologia e o desenvolvimento de metodologias ágeis para o aperfeiçoamento na produção de projetos, a maioria das empresas tradicionais ainda está presa em comportamentos antiquados de escritório, como seguir processos pré-estabelecidos para lidar com diferentes tipos de desafios que o produto enfrenta…e isso resulta em meses ou anos desperdiçados, afinal, cada projeto tem suas particularidades. Neste cenário, surge o Design Sprint.

Ele é um processo único de cinco dias para encontrar soluções para os negócios por meio de design, prototipagem rápida de design e teste de ideais. A metodologia ficou famosa após ser aplicada regularmente por grandes empresas do Vale do Silício, nos Estados Unidos, como Google, Airbnb e LEGO – com um único objetivo: acelerar e simplificar o processo de design de um produto digital.

E o objetivo deste artigo é ser justamente como essa metodologia: rápida e eficiente. Com isso, hoje iremos te apresentar 4 passos para entender e aplicar Design Sprint no seu trabalho. Vamos lá?

O que é Design Sprint? 

Era uma vez um designer de produtos, entusiasta de processos e metodologias de projeto, chamado Jake Knapp. Ele trabalhou na Microsoft por alguns anos e após ficar cansado da metodologia da empresa, foi buscar novos ares na Google.

Durante a sua jornada lá, porém, ele encontrou os mesmo problemas: vários projetos duravam muito além do planejado, não eram lançados ou simplesmente não eram adotados pelos usuários da empresa.

Na imagem vemos Jake Knapp apresentando a ideia do Design Sprint em frente a uma televisão.
Jake Knapp apresenta os pilares do Design Sprint – Reprodução Internet

Como seria a semana perfeita?

Apaixonado por estudar novas metodologias, Jake, então, usou seu tempo livre e começou um projeto com o objetivo de responder o seguinte desafio: qual seria a receita de uma semana perfeita de projeto? 

Esse projeto foi nomeado Design Sprint e utiliza cinco etapas, que são divididos exatamente em cinco dias, para conceber uma ideia em algo tangível e ágil, além de otimizar processos. As etapas são: mapear, desenhar, decidir o melhor, construir um protótipo e testar com os usuários.

Na imagem vemos um passo a passo de como fazer o Design Sprint, como cada tarefa para cada dia da semana. Como explicado no texto abaixo.
Passo a Passo de como fazer um Design Sprint – UX Planet

Imagem retirada do livro “Sprint: o método usado no Google para testar e aplicar novas ideias em apenas cinco dias”, de Jake Knapp. 

De 2010 a 2012 no Google, Jake refinou o Design Sprint com equipes como Chrome, Search, Ads e Google X. Em 2012, ele levou o Design Sprints para o Google Ventures, onde o resto da equipe contribuiu com sua experiência para aperfeiçoar o processo – e deu certo. Hoje, 11 anos após o lançamento, o Design Sprint é uma das metodologias mais utilizadas por empresas de tecnologia no mundo. 

Na imagem vemos os logos das empresas que adotam o Design Sprint, entre elas: Google, Slack, Bose, Medium.
Google foi a primeira empresa a adotar o Design Sprint – UX Planet
Na imagem vemos os logos das empresas que adotam o Design Sprint, entre elas: Ebay, Red Bull, Airbnb, Netflix, Lego, HP e Uber.
Airbnb e Lego tem o Design Sprint como metodologia principal – UX Planet

Qual objetivo de uma Design Sprint?

A Design Sprint tem como objetivo entender o desafio a ser encarado, construir uma ideia de solução de forma colaborativa, medir a sua eficácia através de testes com os usuários reais e aprender com os feedbacks coletados. 

Por meio do Design Sprint é possível descobrir de maneira ágil se a ideia que se pretende desenvolver para solucionar um problema e atingir um objetivo a longo prazo é válida.

O objetivo é conseguir comprimir semanas ou até meses de discussões, finalizando uma semana de trabalho com ações priorizadas e metrificadas.

Como fazer Design Sprint?

O primeiro passo é definir o problema ou desafio a ser resolvido e recrutar equipe que irá trabalhar com desenvolvimento do projeto. Não há uma regra em relação a quem deve participar, mas há profissionais que são fundamentais no processo, como:

  • Um facilitador, para garantir que a equipe permaneça no caminho certo
  • Um representante de atendimento ao cliente, para visão do usuário
  • Um designer, por seu conhecimento de software de design e experiência do usuário
  • Um desenvolvedor, por sua compreensão de quaisquer limitações técnicas
  • Um profissional de marketing, que pode determinar se a solução tem um valor de mercado
  • Um decisor, que terá a palavra final sobre decisões

Com o time escolhido, é hora de escolher as ferramentas que serão usadas pela equipe para registrar o desenvolvimento do produto. 

Ferramentas para o Design Sprint

A equipe, principalmente se for remota, precisará de uma maneira de compartilhar suas anotações, verificar os horários uns dos outros e, o mais importante, se comunicar uns com os outros. Uma dica é utilizar o G Suite, já que o Google oferece uma ampla gama de ferramentas que funcionam perfeitamente sob um único login, e onde os membros da equipe e documentos são super fáceis de gerenciar. As ferramentas que precisaremos para um sprint de design são:

  • Google Meets, para chamadas em grupo
  • Google Calendar, para verificar horários
  • Documentos do Google, para fazer anotações, e
  • Planilhas Google, para registrar os resultados dos testes do usuário

Além das ferramentas do Google Suite, também será necessário um quadro branco, caneta e papel, para desenhar ideias de forma independente. No caso de equipes que trabalhem de forma remota, há ferramentas de brainstorming que serão fundamentais para o processo do Design Sprint, como os quadros brancos digitais: Google Jamboard e o Miro. 

O segundo, Miro, é uma das mais utilizadas por equipes remotas. A plataforma online ajudará você na construção de mapas mentais, diagramas e quadros com notas. Tudo em tempo real e em colaboração com quem você quiser. Ele, inclusive, oferece um template para Design Sprint em seu site oficial. Você pode baixá-lo clicando aqui

Uma plataforma de prototipagem também será necessária para você montar a estrutura que será testada. Há diversas opções: InVision, Marvel, Sketch, Axure e a mais popular nos últimos anos: o Figma. Nele, você pode facilmente criar protótipos ordenando quadros na tela ou vinculando objetos a conectores. Se você está procurando mais maneiras de expandir suas habilidades de prototipagem, você ainda pode utilizar as dicas disponibilizadas no Blog do Figma. 


Time escolhido? Ferramentas em mãos? É hora de começar o Design Sprint. 

Segunda-feira: Entenda o problema

Nesta fase inicial, a equipe se reúne para entender o negócio de vários ângulos e usar seu conhecimento compartilhado colaborando com ideias para criar uma espécie de ‘cérebro compartilhado’. Nele, seu time deverá fazer mapeamento dos principais pontos de contato entre o produto/serviço e o usuário para entender onde o produto quer chegar a longo prazo. 

No fim do dia, o decisor irá reúne as diferentes ideias e informações que são compartilhadas para prosseguir com o processo Sprint.

Métodos que podem ser utilizados:

  • Mapeamento de empatia 
  • Jornada do Cliente

Terça-feira: Desenhe (faça um esboço) 

No segundo dia, os membros da equipe terão de fazer um brainstorming e encontrar soluções diferentes para o problema de negócios, onde todos os membros individuais contribuem, o que pode resultar em ideias inovadoras. Essas ideias serão expandidas nos estágios finais do sprint.

Quarta-feira: Tome uma decisão

A decisão sobre quais ideias precisam ser prototipadas é tomada nesta fase, onde cada membro apresenta seu esboço de solução e uma votação é realizada. No entanto, essa estratégia pode não levar a um consenso devido à diferença de opiniões. Nesses casos, uma revisão silenciosa pode ser feita onde cada membro pendura o esboço na parede e o membro principal passa algum tempo revisando e discutindo cada um dos esboços. Para este método, é importante que haja tempo adequado destinado aos membros para criar esboços bem articulados que possam ficar por conta própria, sem exigir muita explicação.

Quinta-feira: Crie um protótipo

No Design Sprint, o protótipo é usado de uma maneira diferente em comparação com o desenvolvimento padrão do produto, que é mais usado como um experimento para testar a hipótese. Aqui, a equipe tem que decidir o que gostaria de construir para obter um feedback que validará ou invalidará sua hipótese.

Idealmente, a qualidade deve ser boa o suficiente para que pareça real para os usuários, mas não muito que você passe para sempre aperfeiçoando-a. Por exemplo, criar maquetes usando Sketch ou Keynote e importá-los para uma ferramenta de prototipagem como o Invision é uma maneira fácil de obter protótipos de software rapidamente.

Sexta-feira: Teste seu protótipo com usuários

Esta é uma das fases mais cruciais. Nela os membros da equipe podem testemunhar usuários ao vivo interagindo com suas ideias e fornecendo seu feedback que pode apontar para várias questões no design para fazer melhorias rápidas. 

Na maioria das equipes de produto, o designer de experiência do usuário ou o pesquisador normalmente lidam com os usuários, mas em um Design Sprint cada membro da equipe tem a chance de fazer parte da sessão de validação. Isso é fundamental para capturar alguns dos aprendizados, colocando diferentes conceitos à prova usando o feedback do usuário em tempo real.

Leia mais: McDonald’s e Steve Jobs: o que eles podem te ensinar sobre Product Design

Por que usar Design Sprint na sua empresa?

Imagine o seguinte: no cotidiano de uma empresa, seja ela das mais tradicionais ou startups, surgem várias demandas de projetos de vários times diferentes. Esses projetos podem ser dos mais simples até os de grande nível de complexidade. 

Enquanto as tarefas fáceis são resolvidas rapidamente, com uma reunião de 30 minutos ou uma sessão de brainstorming, as mais complexas exigem tempo, conversas aprofundadas, validações e alinhamento.

É aí que entra o Design Sprint. Por conta da sua grande capacidade de otimizar processos, a metodologia ágil dinâmica, é possível validar hipóteses, testar novos produtos e serviços, além de coletar informações preciosas dos consumidores para identificar o próximo passo de uma marca. Sem contar que é uma excelente ferramenta para otimizar o seu tempo, potencializando a produtividade da equipe.

Escrito por

Eduardo Valim

é redator na Awari e escreve sobre carreira e tecnologia.