Awari

20 de setembro de 2021

Gestão de Projetos na Gestão de Produtos? Isso realmente existe?

Tem uma dúvida no mercado que parece nunca se calar: a relação entre Gestão de Projetos e Gestão de Produtos. Indo direto ao ponto, para poupar o seu tempo, digo que há, sim, um vínculo entre as duas atividades.

Afinal, ambas são essenciais para uma entrega qualificada. Além disso, o gestor de Produtos pode aplicar técnicas de Gestão de Projetos no seu dia a dia.

E esse é o tema deste artigo. Quer saber quais são essas práticas e como elas podem ajudar a melhorar o seu produto? Vem comigo!

Gestão de Produtos x Gestão de Projetos

Antes de falarmos sobre como usar a Gestão de Projetos na Gestão de Produtos, quero esclarecer algumas coisas bem importantes sobre as atividades. A primeira delas é que você não deve tratar seus produtos como projetos, ok?

O gestor de Produtos deve ter como foco a solução de problemas e a geração de negócios, a evolução do produto e a manutenção dele. Em resumo, precisa garantir que o produto resolva um problema do usuário e atenda aos objetivos da empresa. Eficácia!

Do outro lado, tem o gestor de Projetos, que se preocupa com o processo como um todo. Ou seja, avalia se o projeto está dentro do prazo estipulado, se os recursos estão sendo utilizados de forma provisionada e se o resultado está caminhando conforme o esperado. Eficiência!

Vale acrescentar que a Gestão de Projetos não é um passo na carreira de Gestão de Produtos ou vice-versa. As competências, talentos e conhecimento são distintos, e você não precisa dominar todos eles. Mas saber algumas técnicas é fundamental, já que elas são de grande valia para o trabalho.

Tudo certo até aqui? Então, vamos avançar. 

Por que usar Gestão de Projetos na Gestão de Produtos?

Como vimos, a Gestão de Projetos e a Gestão de Produtos têm focos distintos. Entretanto, se você reparar bem, as tarefas estão intimamente ligadas. Ou melhor dizendo, elas se complementam.

Até por essa razão é fundamental que gestores de Projetos e de Produtos entrem em acordo e compartilhem os seus objetivos uns com os outros. Esqueça aquela rincha, ok? Os gestores de Projetos são tão valiosos quanto os gestores de Produtos.

Além disso, você, como gestor de Produtos, deve saber que um bom gestor de Projetos (ou suas habilidades) pode ajudar muito no seu trabalho. Afinal de contas, quanto menos tempo você gastar gerenciando os projetos, mais tempo terá para gerir o seu produto.

Agora, quer saber como a Gestão de Projetos contribui ainda mais com a Gestão de Produtos? É simples. 

Com ela, conseguimos ampliar o foco e a entrega de algo. A Gestão de Projetos permite:

  • Alinhamento sobre o que precisa ser feito (“building the product right”)
  • Controle de produtividade
  • Gestão de Mudanças
  • Previsibilidade de entrega
  • Gestão de Risco
  • Gestão de Escopo x Tempo x Custo.

Gestão de Projetos clássica ou agilista? 

Uma das ferramentas mais adotadas para a Gestão de Projetos no mundo todo é o guia PMBoK (Project Management Body of Knowledge). Ele define o gerenciamento de projetos como a aplicação de conhecimentos, habilidades e técnicas para projetar atividades que visem atingir as expectativas das partes envolvidas em um projeto.

O PMBok é bastante antigo e, por essa razão (entre outros motivos), é considerado um método tradicional de trabalho. Acontece que, com a mudança do mercado e a necessidade de agilidade, os métodos ágeis ganharam espaço, como o Kanban e o Scrum.

Isso não significa, no entanto, que eles substituiram o que era praticado na Gestão de Projetos, mas, sim, trouxeram uma evolução para suprir os desafios do contexto atual. Inclusive, muitas técnicas não deixaram de existir.

A decisão sobre qual método escolher tem mais a ver com o escopo do projeto e com a cultura da empresa. Vale lembrar ainda que a escolha entre o modo tradicional e o ágil não precisa ser um conflito.

Ambas as metodologias podem se apoiar. No ciclo de Delivery do desenvolvimento de produtos, por exemplo, alguns aspectos podem ser mais voltados ao agilismo e outros podem se valer de técnicas da gestão de projetos clássica. De qualquer forma, nunca se esqueça: o que deve estar acima de qualquer decisão são as pessoas. Mais do que ferramentas e processos, é a interação entre os seres que surte qualquer resultado. 

4 técnicas de Gestão de Projetos para você usar em Gestão de Produtos

Agora, sim, vou compartilhar algumas técnicas para que você conheça mais da Gestão de Projetos clássica. Você pode reparar que elas se encaixam perfeitamente no ciclo de Delivery, como eu mencionei acima.

Veja só:

Triângulo de Ferro

O Triângulo de Ferro se refere às três principais restrições que podem afetar um projeto, que são: orçamento, escopo e cronograma. O nome Triângulo de Ferra é atribuído devido à interligação que os três parâmetros têm entre si.

Se um é afetado, os outros dois também são impactados.Ao longo do projeto, conforme as ações e decisões são tomadas, aquilo que foi registrado no início pode se alterar. Não significa, necessariamente, que a alteração é negativa.

No entanto, sempre que houver um “problema”, você deve escolher entre uma dessas restrições. Ou seja, mexer no orçamento para conseguir entregar o projeto no prazo e com a qualidade esperada, alterar o escopo do projeto ou estender o cronograma.

Em resumo, você pode usar o Triângulo de Ferro para apoiar a sua tomada de decisão em relação ao produto. 

Matriz de Risco

Você já deve ter ouvido falar na Matriz de Risco, certo? Também conhecida como Matriz de Probabilidade, essa ferramenta ajuda a evitar que riscos aconteçam. Na prática, a Matriz serve para cruzar a probabilidade e a severidade de um risco. O resultado desse cruzamento é que indicará o nível do risco, como mostra a imagem:

Na imagem vemos uma Matriz de Risco com 5 colunas, de 1 a 5
Exemplo de Matriz de Risco

Imagem: https://sistemaeso.com.br/blog/seguranca-no-trabalho/o-que-e-matriz-de-risco-e-qual-usar-no-pgr

Assim, com a visão dos riscos, é possível pensar em iniciativas para mitigá-los. Você pode, portanto, aplicar a Matriz de Riscos para avaliar as ameaças ao seu produto.

Gestão de Mudanças

A Gestão de Mudanças apoia as pessoas e organizações na transição de um estado atual para um estado futuro. Pode-se dizer que o propósito da Gestão de Mudanças é planejar, aplicar, medir e monitorar as ações humanas para evitar que os indivíduos atrapalhem a transformação, mas, mais do que isso, para que se tornem os verdadeiros impulsionadores da mudança. 

Para isso, é claro, deve haver engajamento e protagonismo, algo que pode ser alcançado com um processo bem estruturado a aplicação de um conjunto de ferramentas que ajudem a liderar o lado humano. Percebe como tudo isso afeta diretamente o desenvolvimento dos produtos?

O sucesso de um produto depende da cultura de produto que a empresa tem. A visão e a estratégia são a base de tudo. Por isso, a mudança deve começar por elas.

Gestão de Stakeholders

A Gestão de Stakeholders nada mais é do que um processo de engajamento com as partes interessadas em algo. Essa técnica da Gestão de Projetos é essencial na Gestão de Produtos.

Afinal, é preciso gerenciar solicitações, ideias ou a pressão de diretores e outras áreas sobre como o produto deveria ser ou ter. Ao mesmo passo em que é necessário liderar times promovendo inspiração e engajamento sobre um backlog de desenvolvimento.

E, entre tudo isso, encontra-se o desafio de se fazer estratégico e definir uma visão de produtos que traduza a estratégia da empresa. Confira outro artigo que trata só sobre Gestão de Stakeholders no blog da Awari e você verá uma técnica muito eficiente para fazer isso: https://awari.com.br/gestao-stakeholders/.

Conclusão

E então, o que achou das técnicas? Sabe, a mesma máxima do PM vs PO. Você precisa das habilidades dos dois. Se as empresas ainda tem os dois cargos saiba que no futuro será apenas o de PM, ok? Não tem espaço para tanta redundância assim no longo prazo. 

Eu poderia escrever longos parágrafos sobre como a Gestão de Projetos pode ajudar na Gestão de Produtos, mas acho que isso já ficou claro, certo? Então, o PM precisa de base em gestão de projetos para entregar com eficiência. O tal do output.

Por isso, para encerrar, a minha conclusão é: não estude apenas Gestão de Produtos e métodos ágeis para ser PM. Estude também Gestão de Projetos para ser um bom PM. 

Esse complemento é tão importante como estudar negócios ou Discovery. Faz parte das suas habilidades de execução. 

E se você quiser saber mais sobre as habilidades de um PM, confira esse outro artigo que eu escrevi sobre o tema: https://awari.com.br/habilidades-product-manager/.

Escrito por

Alex Ivonika

Mais de 10 anos criando produtos digitais em startups premiadas no Brasil e Latam. Co-foundador do Product Guru's e professor do curso de Product Management na Awari. Consultor e mentor sobre Product Management, Estratégia e Negócios para empresas e startups.