Facebook pixel
Awari

Estudo de Caso UX – Como dar novo uso aos livros parados na estante?

Um sinal para você passar seus livros para frente.

No segundo semestre de 2020 resolvi entrar de cabeça no estudo de UX design, um assunto que já vinha me interessando há pelo menos um ano. E foi assim que o Desapega surgiu, como um projeto de finalização de curso.

Confesso que a princípio eu não tinha a menor ideia do que o meu projeto ia ser, mas sem pânico, ao longo do caminho as ideias foram clareando, e no fim eu podia até não ter um problema completamente definido de onde partir, mas eu tinha um macro tema: livros.

Inspiração

Com o macro tema em mente e o HCD Toolkit the Field Guide to Human-Centered Design da IDEO em mãos, além do apoio das aulas e mentorias da Awari, comecei minha jornada.

Partindo da metodologia do Human Centered Design, a primeira etapa era a de inspiração. Escutar e conhecer melhor o meio em que estamos trabalhando e, mais importante, as pessoas que queremos afetar com nosso trabalho. No meu caso isso significava imergir no mundo dos livros.

Desk Research

Uma pesquisa na internet sobre o tema ressaltou alguns problemas expressivos em relação à democratização da leitura no Brasil.

Desafio

Fica claro que muitas pessoas deixam de ler por falta de acesso, enquanto isso, existem livros na minha estante, em perfeito estado que ficam só acumulando poeira.

Eu não conseguiria abaixar os preços dos livros, mas talvez pudesse incentivar e facilitar a circulação deles, para que um só livro, comprado uma vez, possa chegar em mais de uma pessoa e cumprir seu papel de espalhar conhecimento.

Afinal, como posso incentivar e facilitar o processo de passar para frente os livros parados nas estantes por aí?

Pesquisa de Usuário

Um empecilho que eu sabia que poderia ter com a circulação dos livros é que talvez as pessoas ainda fossem muito apegadas a eles para passar para frente. Mas será? Em uma época super digital, cheia de e-books e pdf’s será que não seria possível incentivar o desapego?

No meio de uma quarentena não era viável usar técnicas de guerrilha presenciais, mas era necessário conversar com as pessoas, principalmente aquelas que leem e que costumam comprar livros; entender o que elas procuram, e o que estariam abertas a experimentar. Logo, o próximo passo ficou claro:

Elaborei um formulário com algumas temáticas principais.

  • Perfil (idade e grau de escolaridade)
  • Hábitos de leitura (costumam ler? quantos livros por ano? costumam comprar os livros de leem? como?)
  • Familiaridade com livros usados (costumam adquirir livros usados? como? onde compram?)

Espalhei esse formulário em grupos de leitura no Facebook, no Telegram e no WhatsApp, e depois de um pouco de convencimento, as pessoas começaram a me ajudar e responder.

O perfil desses leitores se mostrou, majoritariamente, entre 18 e 25 anos (86%), sendo que 74% possuem ensino superior incompleto, ou seja, uma boa parte está, atualmente, na faculdade.

Gráfico para a pergunta “qual a sua idade?”
Gráfico de respostas para a pergunta “qual o seu grau de escolaridade?”
Gráficos obtidos pelas pesquisa com usuários.

Em relação aos hábitos de leitura, a maior parte dos usuários (83%) respondeu que costuma ler, e comprar, ao menos às vezes, os livros que lê (98,9%).

Gráfico para a pergunta “você costuma ler?”
Gráfico para a pergunta “você costuma comprar os livros que você lê?”
Gráficos obtidos pela pesquisa com usuários.

Os números apontavam muitos livros comprados. Mas será que seriam todos novos? Cerca de 41% dos leitores responderam comprar livros usados, e, além disso, eles costumam adquiri-los em sebos, com uma porcentagem menor trocando ou doando livros entre amigos, no Facebook e outros sites.

Eu queria realmente entender os porquês, porque as pessoas compram livros usados? Porque as pessoas não compram livros usados?

Gráfico para a pergunta “você tem o hábito de comprar livros usados?”
Gráfico para a pergunta “como costuma adquirir livros usados?”
Gráficos obtidos pela pesquisa com usuários. Para a forma de aquisição de livros usados era possível selecionar mais de uma opção.

As respostas indicaram que, em disparado, o maior motivo para a compra de livros usados é o preço mais baixo. Já aqueles que não compram livros usados responderam que não o fazem, majoritariamente, porque nunca tiveram a oportunidade ou não sabem como, seguido de uma porcentagem de pessoas que não compram porque preferem livros novos ou porque os usados não estão em perfeito estado.

Gráfico para a pergunta “por que você costuma adquirir livros usados?”
Gráfico para a pergunta “por que você não costuma adquirir livros usados?”
Gráficos obtidos pela pesquisa com usuários. Era possível selecionar mais de uma opção.

Com todas as respostas compiladas no Airtable, e usando a ferramenta de agrupamento, era fácil reconhecer alguns grupos que estariam propensos a procurar livros usados, e possivelmente, passar pra frente os livros que tinham.

Tabela no Airtable mostrando as possibilidades de agrupamento
Tabulação no Airtable.

Eles eram: aqueles que já compram livros usados e aqueles que não compram livros usados porque não tiveram oportunidade e não sabem como.

Como adicionei no questionário online uma última questão perguntando se a pessoa teria disponibilidade e vontade de fazer uma entrevista curta comigo, pude chamar algumas pessoas dessas categorias para conversar. Foram 4 usuários que já compram livros usados e 3 que ainda não tiveram a oportunidade.

Entrevistas

Seguindo as dicas do guia da IDEO elaborei um roteiro de entrevista semi estruturado que abordava as seguintes questões:

  • Quebra-gelo (contextualização inicial, nome, idade, ocupação)
  • Hábitos de leitura (relação com os livros ao longo dos anos, ciclo dos livros que passam pelas suas mãos, uso de apps ou plataformas)
  • Hábitos de compra e aquisição (se costuma comprar livros, quais, como e onde)

Após os hábitos de compra e aquisição, o roteiro se dividia em dois; para aqueles que já compram livros usados, eu procurava entender quais livros, onde compram, e qual tinha sido a experiência até então; para aqueles que nunca compraram livros usados, entender o porquê, e se estariam abertos a isso futuramente.

Continuei o questionário com uma questão sobre troca, empréstimo e doação de livros, para entender se a pessoa já tinha experiência com isso e como tinha sido. Por fim, adicionei uma pergunta fantasia “se você pudesse dar uma nova finalidade para os livros que tem em casa qual seria e há alguma coisa que poderia ajudá-lo com isso”.

Para minha surpresa, vários entrevistados (4 dos 7) tiveram a mesma essência de resposta para a pergunta final. Eles queriam contribuir para a circulação dos livros, queriam passar pra frente os livros que tem em casa, mas, muitas vezes, não tinham tempo ou meio.

Outros padrões puderam ser observados nas entrevistas, que foram compiladas no Airtable. Os insights mais relevantes foram:

  • Ainda há certa resistência quanto ao empréstimo de livros, muitos dos entrevistados constataram que tiveram experiências ruins;
  • Todos os entrevistados mencionaram a importância de passar os livros pra frente e reconheceram que não faz sentido guardar todos os livros que possuem;
  • Alguns entrevistados têm um apego aos livros e sentem mais facilidade de doar para membros da família ou outras pessoas que conhecem e confiam;
  • No geral, todas as pessoas estariam abertas a doar ou trocar livros.

Personas e mapa da empatia

As entrevistas me proporcionaram uma grande base para criar personas. Com as transcrições das entrevistas pude encontrar padrões organizando respostas similares pelo Miro e pelo próprio Airtable.

Era muito claro que haviam dois padrões diferentes. Aqueles ainda mais apegados à materialidade do livro, e aqueles que consideram que o material físico é só papel, o importante mesmo é que o conteúdo seja inteligível.

Algumas afirmações que indicaram o perfil mais desapegado aos livros foram as seguintes:

“Tipo não sou muito apegada nisso, tipo ‘ai preciso ter um livro’, não, pego na faculdade quando dá, quando tem, quando não to afim de ler online e empresto de amigos, se tiver.”

“Eu acho que ficar juntando os livros que a gente compra e a gente só vai ler uma vez acaba meio que…sabe… quebrando aquele ciclo”

“Acho que (doar) é até uma questão de respeito com o próprio livro, o propósito dele, mas foi um processo até um pouco de auto conhecimento, foi bom, libertador, fiquei bem feliz depois e é isso”

“Aquele livro já deu o que tinha que dar de certa forma, já tive a minha experiência com ele, eu passo pra frente, é bom que abre espaço pra um novo”

Já algumas afirmações que indicaram o perfil mais apegado aos livros foram as seguintes:

“Sou bem apegada, e eu não gosto de pegar emprestado, não gosto de devolver, eu gosto de ir na loja comprar, ter a minha versão e eu não rabisco, não escrevo, não amasso, não dobro e eu tenho um marca página especifico pra cada livro, eu tenho um apreço sabe”

“Eu tive que dar uns (livros) embora e eu quis dar pra minha irmã mais nova pra não sair da minha casa por que eu tenho afeto sabe”

“O processo de doação no começo foi meio difícil, é um pouco difícil abrir mão dos livros, parece que vai ficar um vazio na estante onde eles estavam, mas ai quando eu percebi que fazia muito mais sentido ta na mão de alguém que vai realmente usar, ajudar alguém a entrar na faculdade e ser útil de novo”

“Olha talvez se você conseguisse conversar com a pessoa e saber que ela vai cuidar bem do seu livro isso ajuda, porque aí você não fica tipo tão ‘nossa mas será que eu vou dar pra alguém que vai estragar”

Dessa forma, para sintetizar os conhecimentos obtidos montei as personas e mapas da empatia que representam esses usuários distintos.

Persona desapegada aos livros, Ana Júlia
Mapa da empatia da persona desapegada
Persona e mapa da empatia para o perfil mais desapegado dos livros.
Persona mais apegada, Leandro Teixeira
Mapa da empatia da persona apegada
Persona e mapa da empatia para o perfil mais apegado aos livros.

Mas e a pessoa lá do começo da pesquisa? Aqueles 23% dos brasileiros que, por algum motivo ou outro, tem menos condições de adquirir livros. O foco é que esses livros possam chegar neles, certo?

Com um pouco mais de pesquisa e mais 2 entrevistas direcionadas consegui entender também essa terceira persona, que exatamente por ter tido dificuldades em adquirir livros, entende o quanto é importante doar e trocar os livros que chegam em suas mãos.

Algumas afirmações que me ajudaram a definir essa persona foram as seguintes:

“Comprar livros assim é muito raro, porque eu não tinha dinheiro, e acabei não adquirindo o hábito de comprar.”

“Eu sei quanto é difícil comprar livros, então quando não é muito importante eu dou pra outros lugares e pessoas. Meus livros rodam muito tirando uns quatro assim.”

“Não faço muita questão de (o livro) ser novo , principalmente se eu for usar uma vez e ele ficar parado. Fiquei pensando por onde esse livro passou né, não veio direto da editora, passou por muitas mãos e depois que eu utilizar ele vai continua passando, eu até prometi pra pessoa que me deu que eu vou passar pra frente”

Persona com menos acesso aos livros, Carla Gomes
Mapa da empatia da persona com menos acesso aos livros
Persona e mapa da empatia para o perfil que tem alguma limitação do acesso aos livros.

Jornadas e Jobs To Be Done

Para compreender melhor as principais etapas que as personas passam com os livros desenvolvi, a partir dos relatos das entrevistas, as jornadas dos usuários, já considerando, também os JTBD de cada uma dessas etapas.

Jornada e Jobs to be Done da persona menos apegada aos livros
Jornada e Jobs to be Done da persona mais apegada aos livros
Jornada e Jobs to be Done da persona com menos acesso aos livros
Jornadas e Jobs To Be Done das personas.

Basicamente, minhas personas queriam passar os livros que tinham pra frente, mas o processo de doação teria que ser mais fácil e rápido, além disso, era importante pra elas saber para quem o livro iria, e no caso de troca, de quem aquele livro viria.

Benchmarking

Com um panorama já bastante completo das necessidades, vontades e dores dos meus usuários restava entender o que já vem sendo feito.

Iniciei meu benchmarking registrando no Airtable todos os aplicativos ou plataformas de doação e troca de livros que eu fui encontrando.https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fairtable.com%2Fembed%2FshrbBE4UTpz00mmDL&display_name=Airtable&url=https%3A%2F%2Fairtable.com%2FshrbBE4UTpz00mmDL&image=https%3A%2F%2Fstatic.airtable.com%2Fimages%2Foembed%2Fairtable.png&key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&type=text%2Fhtml&schema=airtableTabela do benchmarking no Airtable.

Os aprendizados principais nessa etapa foram:

  • Boa parte dos aplicativos de doação de livros têm vários bugs e eu tive bastante dificuldade em navegar por eles;
  • Existem algumas plataformas para troca de livros, mas a maioria dos aplicativos tem enfoque em compra;
  • É bastante frustrante que boa parte dos aplicativos exige um cadastro antes mesmo de você poder ver o que ele tem a oferecer;
  • Em quase todas as plataformas é possível registrar livros a partir do código de barras.

Conclusão da fase de inspiração

Baseado em todo o conhecimento adquirido pude afunilar a ideia a um aplicativo de troca e doação de livros. Mas qual será a melhor maneira de fazer isso?

Ideação

Já me sentindo completamente imergida no mundo dos livros e entendendo muito melhor o que os leitores procuram e onde posso atuar. Chegou a hora da ideação desse aplicativo.

“You’ll keep iterating, refining, and building until you’re ready to get your solution out into the world”

-IDEO

Comecei a jogar algumas ideias no Miro. Como eu posso tornar a experiência de doação ou troca de livros a melhor possível? Como eu posso contribuir para que as pessoas realmente queiram doar e trocar seus livros?

Insights

Me baseando novamente no guia da IDEO, comecei a rabiscar todos os insights importantes da fase de inspiração:

  • Minhas personas estão abertas a doar e trocar livros, mas a troca foi mais bem vista por boa parte das pessoas;
  • Praticamente todos os usuários mencionaram que gostariam de saber para quem o seu livro está indo;
  • Os “Apegados” relataram ter muito mais facilidade de se desfazer de livros quando sabem que quem vai ficar com esses livros vai tomar cuidado;
  • A maioria das pessoas procura livros específicos, já sabe o que quer quando vai comprá-los.

Esboços

Comecei a esboçar várias telas usando a técnica de Crazy 8. Após algumas tentativas e erros, fui percebendo que as melhores ideias convergiam para uma mesma lógica, uma mesma arquitetura da informação.

Esboços desenhados em um caderno
Esboços das telas.

Sitemap

O sitemap se mostrou uma ótima maneira de organizar visualmente essa lógica. Mostrando a hierarquia do aplicativo que estava se formando e guiando meus próximos passos em relação às telas necessárias.

Sitemap do Desapega, mostrando a arquitetura de informação do aplicativo
Sitemap do Desapega.

Wireframes

Associando os esboços à arquitetura da informação criei os primeiros wireframes e com eles, o primeiro protótipo de média fidelidade. Minha intenção era testar o mais rápido possível as hipóteses e melhorar cada vez mais a usabilidade das minhas telas.

Wireframes de média fidelidade do aplicativo
Wireframes de média fidelidade do Desapega.

Testes de usabilidade

Com o primeiro protótipo em mãos, comecei os testes de usabilidade do aplicativo. Foram 10 no total, 5 pela plataforma Maze e 5 remotamente pelo Google Meets. Com ajuda da planilha de tabulação da TESTR, criada pela Elisa Volpato, pude concentrar os resultados e encontrar padrões nas interações percebidas.

Algumas telas tiveram que ser revisadas, a fim de melhorar ao máximo a usabilidade das interfaces.

Escolha de gêneros literários

A primeira questão que apareceu em alguns comentários foi a interação de escolha de gêneros literários favoritos, que aparece na sessão de personalização do aplicativo.

Minha primeira ideia tinha sido que os cards sumissem assim que selecionados. Porém, alguns usuários ficaram confusos, e disseram que gostariam de ver o que selecionaram. Além disso, é importante que eles pudessem desselecionar os cards caso tocassem por erro.

Dessa forma, a interação foi trocada de modo a deixar explícito os cards selecionados e permitir uma correção de erro mais fácil.

Interações testadas para a seleção de gêneros literários
Na esquerda a primeira interação testada, na direita a interação revisada e escolhida para o aplicativo.

Modal dos livros

Inicialmente, ao tocar nos livros, um modal aparecia na tela com mais informações sobre aquele livro e as possibilidades de doação ou troca relacionadas àquele título. Porém, alguns usuários não se sentiram muito à vontade com a interação do modal.

Além disso, a aparição de um modal impedia que os próximos fluxos continuassem de forma harmônica. Dessa forma, as informações do livro passaram de um modal para uma página. Mudança bem aceita pelos usuários, que compararam essa nova interação ao que acontece no Facebook ou no Twitter.

Uma segunda alteração foi em relação ao ícone para salvar o livro como “lido” ou “quero ler”; o coração não parecia cumprir essa função para os usuários e foi substituído pelo ícone que se assemelha ao “salvar na coleção” usado pelo Instagram.

Modal e página de mais informações dos livros
Na esquerda a interface em forma de modal, na direita a interface revisada e aprimorada pelos feedbacks.

Questão de confiança

Durante os testes de usabilidade alguns usuários sentiram falta de mecanismos que gerem mais confiança na transação dos livros. Como eles teriam certeza das condições dos livros? Ou saberiam se um outro usuário é confiável para uma troca?

Adicionei mais uma sessão no cadastro de livro para que o dono possa colocar fotos, descrições, detalhar a condição dos livros e também informar se prefere trocar ou doar aquele título. Além disso, adicionei mecanismos de depoimento no perfil dos usuários em conjunto com estatísticas: quantas transições efetuadas, quantas em andamento e há quanto tempo utiliza o aplicativo.

Telas do aplicativo que foram criadas para reforçar confiança
Telas adicionadas para aumentar a confiabilidade das transações.

Conclusão da fase de ideação

Os testes de usabilidade detectaram alguns deslizes importantes que puderam ser revisados e aprimorados, porém o feedback foi bastante positivo, os usuários se mostraram empolgados com o aplicativo e muitos afirmaram que usariam o Desapega, e recomendariam para amigos e conhecidos.

Com os ajustes realizados e a aprovação dos usuários eu parti para a fase final do projeto.

Implementação

Segundo o guia da IDEO, a fase de implementação consiste em dar vida ao seu projeto. Colocar no mercado soluções que vão dar certo, exatamente porque o processo inteiro foi focado nas pessoas e suas necessidades.

Como designer, que ainda não possui conhecimento de programação, isso significava partir para um protótipo de alta fidelidade que pudesse servir como uma maneira de vender a ideia e simular seu funcionamento.

Identidade visual

O primeiro passo foi criar uma identidade visual para o aplicativo e para a marca. A base escolhida foi o círculo, forma geométrica que representa muito bem o objetivo do aplicativo, de incentivar a circulação dos livros. A partir dessa forma inicial foram derivados o meio círculo e o quarto de círculo. As formas foram combinadas com uma paleta de cores que traz uma variação das cores primárias: vermelho, amarelo e azul.

Combinando formas simples com uma paleta jovem e divertida, a marca pretende apresentar uma comunicação simples e descomplicada.

Moodboard de identidade visual do Desapega
Identidade Visual do Desapega.

Style guide

A partir da identidade visual criada foi necessário pensar um sistema visual para o aplicativo a fim de padronizar as interfaces e deixar o Desapega mais intuitivo e coerente. Criei os sistemas de tipografia e cores, e adotei os ícones do Evericons. O sistema de layout se baseou nos espaçamentos de x4px e, por fim, criei alguns componentes que se repetem ao longo das telas.

Style Guide criado para o Desapega a partir da identidade visual
Style guide criado.

O aplicativo

A reta final do projeto foi usar os wireframes como base para aplicar o style guide e criar as telas do aplicativo. Para isso eu usei o Figma, mas para as interações finais busquei um pouco mais de refinamento pelo Framer.

O funcionamento do aplicativo é simples. Cada usuário pode adicionar os livros que possui na plataforma, especificando suas condições e se pretende trocar ou doar aquele livro, lembrando que isso é somente um indicativo, mas não impede que livros marcados para troca sejam doados e vice versa. Dessa forma, se você quer um livro basta procurar por ele no aplicativo e ver as opções de doação e troca disponibilizadas por outros usuários.

Escolhida a melhor opção, você pode elaborar uma proposta para a aquisição daquele livro. Você tem a opção de acrescentar uma mensagem e um livro em troca, levando em consideração que a proposta deve ser aceita pelo doador. A ideia é que tanto a mensagem quanto o livro em troca sejam opcionais. Porém, é importante que sua solicitação seja cativante, pode ser por meio de uma mensagem bem escrita mostrando seu interesse pelo livro, ou por uma troca irresistível para o usuário.

Dessa forma, se você escolher oferecer um livro em troca, você pode checar o perfil do doador para entender seu gosto e oferecer um livro que ele já procura. Porém, se você não tiver nada para oferecer em troca isso não é um empecilho, pois a sessão de mensagem serve justamente para te conectar ao dono do livro e possibilitar que haja o desenvolvimento de empatia entre os usuários.

A proposta sendo aceita, sobra somente combinar a retirada com o doador pela seção de mensagens. O controle fica completamente nas mãos dos usuários, e a plataforma surge somente como forma de mediar e facilitar essas interações, aproximando aqueles que procuram um livro com aqueles que podem doar ou trocar aquele mesmo livro.

Onboarding

A primeira interação do usuário com o aplicativo é através de um onboarding que explica um pouco do propósito e da dinâmica do Desapega. Depois disso, é possível tanto fazer um cadastro no aplicativo, quanto explorar certas sessões dele sem nenhum cadastro, decisão tomada pelos insights retirados do benchmarking.

Telas de onboarding do aplicativo
Telas de onboarding.

Personalização

Fazendo um cadastro o usuário encontra a possibilidade de escolher alguns gêneros literários e livros que ele leu, ou quer ler, para que as recomendações do aplicativo possam ser feitas de maneira mais certeira.

Gif mostrando o fluxo de cadastro e personalização da plataforma até chegar na tela inicial
Fluxo de personalização no cadastro do aplicativo.

Home

A ideia da home é que ela sirva como um espaço de busca de livros. Com inspiração nas plataformas de streaming, ela apresenta algumas categorias de livros que podem ser exploradas deslizando para o lado. Além disso, um mecanismo de busca ajuda o usuário a encontrar o que ele quer, já que as entrevistas mostraram que, muitas vezes, o usuário vai atrás de um livro específico que está procurando.

Tela inicial da plataforma
Tela inicial do aplicativo.

Adição de um livro na plataforma

O botão principal do bottom menu dá acesso à seção de cadastro de novos livros na plataforma. A leitura do código de barras já fornece algumas informações gerais sobre o livro, porém cabe ao usuário acrescentar a condição do livro, sua intenção: doar ou trocar, além de fotos e descrição.

Gif mostrando o fluxo de adição de livro na plataforma
Fluxo de adição de livro na plataforma.

Pedindo livros

O fluxo mais importante do aplicativo é o de enviar uma solicitação pedindo um livro para algum doador. O usuário pode procurar o livro que quiser, avaliar as opções de doação e escolher solicitar a mais conveniente para ele, seja pelas condições do livro, pela localização da doação, ou qualquer outro motivo que o usuário ache relevante.

Como cabe ao doador aceitar ou não essa solicitação, é importante que o usuário possa adicionar uma mensagem e, se achar coerente, um livro em troca, tornando a proposta o mais convincente possível de modo a obter uma aprovação, e assim o livro.

Gif mostrando o fluxo de pedir um livro como doação na platafoma
Fluxo de solicitação de livro.

Marcando os livros que quero ler

Como uma das premissas importantes do aplicativo é a troca de livros, você precisa saber os livros que os usuários estão procurando, por isso, é possível marcar os livros que você quer ler. Assim que marcados, eles aparecem no seu perfil e ajudam a comunidade a te fazer propostas mais coerentes com as suas preferências literárias.

Gif mostrando o fluxo de marcar um livro como “quero ler” na plataforma
Fluxo de marcação de um livro.

Aceitando uma solicitação

O aplicativo é uma via de mão dupla. Da mesma forma como você vai procurar livros, você também pode doar ou trocar os seus, por isso a sessão de notificações mostra as propostas que você recebeu pelos livros que você cadastrou na plataforma.

Gif mostrando o fluxo aceitar e finalizar uma solicitação de livro na plataforma
Fluxo de aprovação de solicitação.

Dessa forma, temos quatro abas principais no Desapega. A primeira é a de “Salvos” que serve como uma forma do usuário controlar os livros que ele quer ler e os que já leu. A de “Atualizações” que contém as solicitações recebidas e as mensagens trocadas com outros usuários. A “Home” que serve para a busca de livros. E por fim, o “Perfil”, com todas as informações necessárias para o engajamento com a comunidade da plataforma.

Abas principais do aplicativo
Abas do Desapega.

Aprendizados

Parece clichê, mas entrar em um projeto de cabeça aberta realmente traz aprendizados incríveis. Deixar de lado tudo o que você acha que sabe e aprender de fato com as pessoas é a essência de um bom projeto de UX.

Como eu não estava apegada a nenhuma ideia inicial, somente ao tópico de livros, pude passar um tempo realmente conhecendo essa área, conversando com leitores, entendendo suas necessidades e dores. Acredite, encontrar uma solução para uma dor que existe é muito mais fácil do que encontrar uma dor para a solução que você já tem apego mas não validou.

Aprender com outras pessoas é, sem sombra de dúvidas, o processo mais empolgante que já tive o prazer de experienciar, e espero que essa possa ser a primeira vez de muitas, e que a minha jornada possa, não somente impactar minha própria vida, mas a de muitas outras pessoas.

Espero ter conseguido passar um pouco do que eu aprendi para você por meio desse estudo de caso. Fico disponível para tirar qualquer dúvida, e feedbacks são muito bem vindos!

Acesso ao protótipo

O acesso ao protótipo navegável no Figma pode ser feito aqui: https://www.figma.com/proto/NwUzbgMQDrSY6nLt0uxZQt/Desapega-Final?node-id=3%3A70&scaling=scale-down

Já o acesso do protótipo navegável final no Framer pode ser feito aqui: https://framer.com/share/Desapega–4e28U6FU8uACXfsSM4LH/drNlJAllS

Dúvidas?

Ficou com alguma dúvida? Tem alguma sugestão ou comentário? Pode me procurar pelo Linkedin

Giselle Jensen | LinkedIn

Agradecimentos

Queria deixar aqui um agradecimento especial, ao Guilherme Zaia, meu mentor nesse projeto, ao Luiz Bordim, instrutor da minha turma no curso de UX da Awari, e a todas as pessoas que toparam me ajudar nesse processo. Esse projeto não seria possível sem vocês.

Muito obrigada pela sua atenção, nos vemos numa próxima!

Giselle Jensen

Escrito por

Giselle Jensen

Giselle foi aluna do curso de UX Design da Awari